O casal foi condenado a sete anos e não ficou um dia sequer na cadeia. A Justiça decidiu que Kátia Marques e Juliano Gunello foram os autores de maus tratos contra Pedro Henrique, de 5 anos. O casal pode recorrer em liberdade. Kátia é mãe do menino e Juliano, padrasto. Pedrinho morreu em 12 de junho de 2008.
Um dia antes, uma vizinha conversou com o menino e disse que ele estava todo empipocado, o rosto todo e perguntou se ele já tinha falado com a mãe. Ele saiu correndo.
O corpo de Pedrinho foi exumado um dia depois da morte. O laudo aponta que o menino sofreu muito antes de morrer. Ele tinha 65 equimoses - aquelas manchas na pele - provocadas por apertões, tapas ou sacudidas violentas. Os ferimentos aconteceram em datas diferentes.
Os legistas constataram ainda duas fraturas nas costelas. A data dessas lesões: entre duas e três semanas antes da morte. Foram encontradas ainda duas fraturas recentes no punho.
Quando o resgate chegou ao condomínio, o casal disse que o menino poderia ter bebido um tira-manchas, tóxico. Essa informação confundiu o atendimento médico e depois foi desmentida na perícia.
As semelhanças com o caso Isabella chamam a atenção. Mas, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram denunciados por assassinato, condenados em júri popular e estão presos. No caso Pedrinho, o caminho foi bem diferente.
Esse casal não foi denunciado por homicídio. A justiça não tem elementos para afirmar que eles de fato queriam matar o Pedrinho.
Kátia Marques e Juliano Gunello - apontado pela acusação como o principal agressor - foram denunciados à Justiça por tortura. Acusados desse crime não vão a júri popular. A decisão cabe a um juiz.
O que mais surpreende neste caso é realmente uma mãe permitir que se faça isso com um filho dela. Isso é um absurdo!!!
Na sentença, o juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto explica por que, no entendimento dele, não houve tortura e sim maus tratos em relação a Pedrinho. O juiz cita trechos de livros, decisões de tribunais superiores e uma frase, de um de desembargador: “se a intenção era corrigir um mau comportamento, o crime é de maus tratos e não de tortura, embora o meio empregado tenha sido desumano e cruel. Se a conduta foi para fazer sofrer, por prazer ou ódio, ela pode ser considerada tortura”.
O juiz afirma que raiva não era o sentimento da mãe e do padrasto, por isso, segundo ele, não agiram como torturadores. Para o juiz houve mesmo maus-tratos, mas para corrigir e disciplinar Pedrinho. Kátia Marques e Juliano Gunello foram condenados a sete anos de cadeia, no regime semiaberto.
O Ministério Público recorreu da sentença e vai insistir que Pedrinho foi torturado.
Já o advogado do casal entrou com um recurso para que a decisão seja anulada.
A atitude deste casal é inaceitável. Como, mesmo depois de tanta repercussão que o caso Isabella Nardoni acontece uma tragédia parecida. Isso é um absurdo. Uma mãe que mata o seu próprio filho. Em que mundo nós estamos vivendo? Onde isso vai parar?

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