sexta-feira, 12 de março de 2010

Calouros lambem comida estragada em trote violento

O Fantástico do dia 28 de fevereiro de 2009 mostrou cenas revoltantes de um trote de estudantes de medicina em São Paulo. As imagens mostram desrespeito, agressões físicas e morais. Um absurdo promovido por estudantes que, em breve, vão ter um diploma de médico para cuidar da nossa saúde.

Os trotes variaram de uma universidade para outra. Os veteranos obrigaram jovens que acabaram de entrar na faculdade de medicina a ficar com um fígado de boi estragado na cabeça, encheram a boca de cerveja e cuspiram tudo nos calouros, obrigaram os jovens a andar em posições incômodas, mandaram os calouros ajoelhar e cuspiram em seus rostos, cobraram pedágio para arrecadar dinheiro para festas com muita bebida e até drogas. É importante ressaltar que algumas destas festas são realizadas nos próprios campus das universidades.
O trote mais violento aconteceu em um sítio em Mogi das Cruzes. Em um muro na entrada da cidade, o aviso para os calouros, feito pelos veteranos da 37º turma de medicina da Universidade de Mogi: “Se chorar, vai ser pior”.

Desde o começo das aulas, os veteranos ameaçavam: quem não fosse ao sítio não poderia também freqüentar outras festas da faculdade, correndo o risco de sofrer ameaças e constrangimentos durante o curso.

A universidade é particular e tem 15 mil alunos. No vídeo, estudantes do último ano estão de uniforme laranja. Os outros veteranos vestem camiseta branca. E os calouros, camiseta preta e gravata.

O trote começou exatamente às 13 horas da tarde do dia 22 de fevereiro, com a explosão de uma bomba no campo de futebol. Através de agressões, os veteranos forçaram os calouros a passar por uma pequena cabana, que estava cheia de comida podre. Latinhas de cerveja foram arremessadas na cabeça dos calouros e além das agressões, houve muita humilhação. Obrigaram rapazes e moças a ficarem com os braços abertos em uma cruz de madeira. Em seguida, os atacaram com ovos, farinha e catchup, além de baterem com peixes apodrecidos.
Um estudante não aceitou beijar os pés de um veterano que, nervoso, jogou caipirinha de limão nos olhos do calouro. Era um dia de sol e até quem não estuda medicina sabe: limão, sob o sol, deixa manchas na pele difíceis de sair.

A chance de tudo se repetir no ano que vem é grande. O indivíduo acaba reproduzindo aquilo que sofreu. Ele vai querer subjugar o calouro, sem dúvida nenhuma.

Vários pais procuraram a reitoria da Universidade de Mogi das Cruzes para reclamar. Por causa das humilhações, uma caloura desistiu do curso no dia seguinte ao trote.

O centro acadêmico dos alunos de medicina, a direção da universidade e os veteranos que organizaram o trote não quiseram gravar entrevista.

Em nota, a Universidade de Mogi das Cruzes disse que todos os anos há reforço na equipe de segurança e que realiza palestras e reuniões contra o trote violento. Alega não ter como se responsabilizar por práticas inadequadas fora do campus, mas diz que os veteranos flagrados podem sofrer de advertência verbal até expulsão.

Além de expulsos da faculdade, veteranos que promovem trotes violentos podem ser presos e responder a crimes como:
- injúria, que significa ofensa à dignidade da vítima, com pena mínima de um mês de cadeia;
- constrangimento ilegal, com pena mínima de três meses;
- e lesão corporal, que também prevê três meses de prisão pelo menos.

Eu acho legal ter trotes nas universidades, mas trotes saudáveis, como por exemplo, a arrecadação de alimentos para entidades carentes, ou no máximo brincadeiras inofensivas, não esse absurdo que aconteceu de calouros sofrerem agressões e humilhação de futuros médicos, que irão cuidar de nós.

Em setembro de 2008, o Ministério Público Federal pediu às universidades do estado de São Paulo que tomassem providências contra os trotes. Recomendaram às instituições que garantam a ampla, total e irrestrita segurança dos alunos, dentro e fora do campus.

Só vamos acabar com estes trotes violentos e ridículos a partir do momento em que todos os responsáveis paguem pelos seus atos.

Será que o nosso futuro irá ser ficar nas mãos de médicos agressores e que desprezam outras pessoas? Isto é justo?





por BRENDA KAROLINE

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